Gilberto Vaz de Melo



Na corrente de um vento
De um lado qualquer,
O odor de ciprestes
Anuncia sua chegada.
Vem assim...de repente...
No escovar de dentes,
Folheando cheques pendentes,
...em um ato de amor qualquer.
Vem assim..sem ninguém convidar-lhe.
O sonho esperado no filho do filho,
O neto querido que nunca virá.
Em uma esquina qualquer,
O juízo imbecil da imortalidade
Esfacela-se no frio chão.
O odor de ciprestes
Às vezes se reveste no cobiçado perfume
De fragrância profunda,
De uma ambição imunda
Que alguém jamais deveria usar.

 


Gilberto Vaz de Melo

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