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Gilberto Vaz de Melo
Aquele céu a quem pertence ?
Pela janela humilde de reboco aparente
Em seu passado grisalho... num olhar misericordioso,
Ele conta as estrelas.
Confidencia seus sentimentos
Na ilusão de que o universo está a escutar-lhe.
No lado oposto da calçada,
O outro, em uma sintonia de olhares,
Numa janela de fino algodão,
Lamenta aos céus a infelicidade de seus dias.
Dois olhares, duas almas, dois perdões, juntam-se ao infinito
Em tamanha grandeza de solidão.
Dois corpos em diferentes molduras de janelas...
Uma de reboco, a aposta em pincelas.
Epílogos da vida;
Onde a verdade e o juízo final se penitenciam
No silêncio do universo sem respostas.
Apenas dias de angústias e conceitos vazios
No abre e fecha de duas opostas tramelas.
Gilberto Vaz de Melo
Todos os direitos reservados ao autor
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